domingo, 25 de novembro de 2012

A ingrata tarefa de montar o roteiro

    Nunca canso de falar sobre quão complicado é montar um roteiro de viagem. Mesmo tendo definido de antemão por quais países iríamos passar, foi muito difícil conseguirmos fechar um itinerário que nos parecesse pronto, coeso e seguro.

     Primeira parte- Peru e Equador

   Apesar de já ter passado pelo sul do Peru na Infinita América II, faltava conhecer a capital daquele país. Então, decidimos iniciar a viagem em Lima, indo pra lá de avião. Dali iríamos para alguma cidade litorânea do norte peruano para depois entrarmos no Equador e seguir em frente. Surgiu aí a primeira encruzilhada: pra qual cidade do norte deveríamos ir antes de adentrarmo o Equador? Ficamos divididos entre Chiclayo e Trujillo, mas escolhemos a segunda após vermos e revermos fotos dos locais.
    Outra dificuldade foi definir se passaríamos por duas ou três cidades do Equador. E como a tendência é sempre conhecer a  maior quantidade possível de lugares, decidimos passar pelas três. Então, de Trujillo partiríamos para Guayaquil, depois para Cuenca e enfim Quito.

    Segunda parte – Colômbia

   Na Colômbia, desde o princípio do planejamento, sabíamos que passaríamos obrigatoriamente por Bogotá e Cartagena. Mas pelo menos outras duas cidades não poderiam ficar de fora: Cali e Medellín. Há um ônibus que sai de Lima, passa por várias locais e vai até Cali. Então, resolvemos que daria pra encaixar o roteiro assim: de Quito, embarcando no ônibus mencionado, iríamos para Cali, dali, em outro ônibus, para Bogotá, depois Medellín e finalmente Cartagena. Encaixamos as quatro cidades. Mas havia outros lugares interessantes que se eu pudesse não deixaria de fora: Santa Marta, Barranquilla, alguma cidade banhada pelo Pacífico, etc.

     Terceira parte – Venezuela e Norte do Brasil

     Encontramos muitas dificuldades para pesquisar sobre transportes na Venezuela. Verificamos que para sair da Colômbia de ônibus para o país de Hugo Chávez o jeito mais fácil seria indo para Maracaibo. Então, decidimos que após Cartagena partiríamos para aquela cidade, que seria nossa porta de entrada para a Venezuela. A partir dali haviam várias opções: Mérida, Morrocoy, Punto Fijo, Coro, Caracas, Islas de Margarita, etc. Decidimos, após muito pensar e repensar, ir de Maracaibo a Coro, de microônibus, depois para Caracas, de ônibus, dali para as Islas de Margarita, de avião, e finalmente, de balsa, para Puerto La Cruz. De Puerto La Cruz há um ônibus que parte direto para Boa Vista. Como nossa ideia era percorrer por terra firme a maior parte dos trechos, resolvemos encarar e aproveitar pra conhecer rapidamente a capital de Roraima. E dali, finalmente, partiríamos para Manaus, novamente de ônibus, e depois para Ribeirão Preto, de avião.

       No fim das contas nem tudo saiu como havíamos previsto e planejado, mas o resumo do roteiro original, com o qual saímos de Araraquara antes de iniciar a viagem, segue abaixo:

30/04/2012 - Araraquara/São Paulo/Guarulhos
01/05/2012 - Lima
02/05/2012 - Lima
03/05/2012 - Lima
04/05/2012 - Lima/Trujillo
05/05/2012 - Trujillo
06/05/2012 - Trujillo/Guayaquil
07/05/2012 - Guayaquil/Cuenca
08/05/2012 - Cuenca
09/05/2012 - Cuenca/Quito
10/05/2012 - Quito
11/05/2012 - Quito
12/05/2012 - Quito/Cali
13/05/2012 - Cali/Bogotá
14/05/2012 - Bogotá
15/05/2012 - Bogotá
16/05/2012 - Bogotá/Medellín
17/05/2012 - Medellín
18/05/2012 - Cartagena
19/05/2012 - Cartagena
20/05/2012 - Cartagena
21/05/2012 - Maracaibo
22/05/2012 - Coro
23/05/2012 - Coro
24/05/2012 - Caracas
25/05/2012 - Caracas
26/05/2012 - Margarita
27/05/2012 - Margarita
28/05/2012 - Puerto La Cruz
29/05/2012 - Boa Vista/Manaus
30/05/2012 - Manaus
31/05/2012 - Manaus



quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Um argumento necessário

    Era pra ser só um café da tarde com a pessoa amada, mas foi o começo da terceira parte daquele que na minha mente é um pretensioso projeto de desbravamento e libertação da América do Sul luso-espanhola. 

* * *

     Pra você que ainda não sabe, no já remoto maio de 2010 eu e meu amigo Marcel saímos acelerados numa pick up Corsa a andar pelo sul do Brasil, Paraguai, Argentina, Chile e Uruguai. Passamos 29 dias nessa andança, conhecendo novas paragens, sotaques, pessoas. Conhecendo a nós mesmos. Trouxemos na bagagem milhares de fotos, regalos, lembranças, sonhos,  e sapatos sujos com poeira de cada parte por onde passamos. Ao pisarmos de volta no nosso Brasil, misturando terra estrangeira com terra daqui, foi impossível não reforçar a miscigenação e não afirmar com um orgulho obscuro: meu país é a América do Sul, sim senhor! 
  Essa foi a primeira parte do projeto Infinita América. Veja detalhes no blog http://infinitaamerica.blogspot.com.br/.


   A Infinita América - parte dois, segunda etapa do projeto, pode ser conhecida em detalhes no blog http://infinitaamerica-partedois.blogspot.com.br/. Será fácil perceber o tamanho da ficção em que me meti e como a contação dessa viagem fala muito mais de descobrimento interno que de externo. Há muita coisa mal escrita, é claro, mas há fotos e descrições  para quem está aqui apenas para conhecer lugares. Há pedaços de Bolívia, Peru, norte da Argentina, Chile e Brasil. Pedaços percorridos por mim numa viagem solitária de vinte e poucos dias em maio de 2011, a bordo de ônibus limpos e embarreados, trens de baixa velocidade, vans de nacionalidades variadas e pick ups que andam na areia e no sal.

* * *

      Mas, voltando ao café com a pessoa amada, conta a lenda da minha memória que numa daquelas tardes de fim de ano inesquecíveis de Assis, num dia em que o sol e o vento penetravam por ângulos únicos as janelas e portas da pequena casa localizada ao lado de um terreno baldio, Veridiana me ofereceu um café de máquina. Estávamos esparramados no chão da sala, encostando o corpo no piso frio para aliviar o calor, mas ainda assim ela me ofereceu um café. Eu aceitei e de uma tacada só disse: "Falta passar por Equador, Colômbia e Venezuela". "Ahnnn?" ela respondeu. "Pra completar a Infinita América faltam esses países. Já passei por Paraguai, Argentina, Chile, Uruguai, Bolívia e Peru. Faltam só os três lugares que falei pra completar minhas andanças pelos países de língua espanhola da América do Sul. São os times desses países (e alguns convidados do México) que jogam a Taça Libertadores da América". Veri me estendeu o copo de café quentinho dizendo pra eu por mais açúcar, se quisesse, e acrescentou: "Ahn, e o Corinthians vai jogar a Libertadores esse ano, não vai? Já pensou assistir um jogo num desses lugares. Ia ser demais! Vamos fazer essa viagem juntos, Fábio?".

     Daquele dia de novembro ou dezembro em diante, só fizemos falar e planejar a tal viagem. A Infinita América - parte três que aqui vos apresento com certa dose de orgulho e vaidade, mas com muito mais humildade que das outras vezes, porque dessa vez fui ao lado de uma mulher e as mulheres estão aqui para nos ensinar sobretudo a humildade. 
   
    Assim, em outro maio que já vai ficando lejos na minha memória, lá fui eu outra vez pelas terras da América do Sul. Para completar meu sonho e meu projeto. E por acreditar que só depois de eu ter pisado descalço o chão dos 10 países desse continente, que faço questão de chamar de tão meu, o Sport Club Corinthians Paulista do meu coração poderia enfim erguer a taça do lugar que nos pertence e gritar alto: estamos libertos! E , antecipando o final da saga, foi assim que tudo aconteceu: a Taça Libertadores da América é nossa!



Infinita América - parte um: maio de 2010.
Infinita América - parte dois: maio de 2011.
Infinita América - parte três: maio de 2012.

Três maios pra ficar no coração!