A Companhia das Letras promoveu uma espécie de entrevista a distância que permitiu aos leitores e fãs do jovem escritor Daniel Galera fazerem perguntas ao autor. Segue link pra quem se interessar: http://www.blogdacompanhia.com.br/tag/daniel-galera/. Um dos "entrevistadores" pergunta em que momento um escritor para de mexer no livro em que está trabalhando e decide que a obra está pronta e não deve mais ser mudada. Na resposta, Galera diz que para ele há dois momentos cruciais na finalização de um livro: o primeiro momento é quando ele decide que a história deve sair da imaginação e começar a ir pro papel; o segundo é quando, já estafado de mexer e remexer na obra, ele decide, um pouco motivado pelo feeling de que o livro já está bom o suficiente e um pouco motivado pelo cansaço, que já não dá mais pra mudar nada ali. Ponto final.
Hoje, dias após assistir a dita entrevista à distância em meu sujo e empoeirado notebook, aproveitando a internet rápida de um bom hotel, penso algumas coisas sobre livros, viagens, roteiros e internet. Quando é que um viajante independente decide que determinado roteiro está pronto e não deve mais ser mudado? Quando é que um mochileiro decide que certa viagem deve ser mesmo contada via internet? O que motiva essa contação?
São perguntas pessoais e refletir honestamente sobre algumas delas pode ser doloroso. Por ora, pensarei sobre a questão do roteiro.
A partir de que momento do planejamento de uma viagem independente se pode considerar o roteiro pronto, não mais mexível? Como saber se esse momento realmente chegou?
Hoje, dias após assistir a dita entrevista à distância em meu sujo e empoeirado notebook, aproveitando a internet rápida de um bom hotel, penso algumas coisas sobre livros, viagens, roteiros e internet. Quando é que um viajante independente decide que determinado roteiro está pronto e não deve mais ser mudado? Quando é que um mochileiro decide que certa viagem deve ser mesmo contada via internet? O que motiva essa contação?
São perguntas pessoais e refletir honestamente sobre algumas delas pode ser doloroso. Por ora, pensarei sobre a questão do roteiro.
A partir de que momento do planejamento de uma viagem independente se pode considerar o roteiro pronto, não mais mexível? Como saber se esse momento realmente chegou?
No caso dessa viagem, cujo fechamento do roteiro foi especialmente difícil, percebemos que não chegaria o momento em que sentiríamos segurança para olhar o itinerário por completo e dizer: pronto. Então, resolvemos ir por partes. O primeiro objetivo foi definir Peru e Equador. Quanto mais pesquisávamos, mais em dúvida ficávamos, porque não basta decidir ir pra cidade X, dali pra Y e depois pra Z. É necessário saber se há transporte de um lugar pro outro, em que dias da semana esse transporte está disponível, se vale a pena, de repente, ficar um dia a mais ou um dia a menos num lugar pra se adequar aos dias e horários dos ônibus, trens, etc.
Sem internet em casa, pão duro que sou, tive que usar de locais onde há internet grátis, como parques públicos, shoppings, hotéis, etc. Destaco o Parque do Curupira, o Novo Shopping e a Praça dos Expedicionários, em Ribeirão Preto. Lembro que passei manhãs e manhãs pesquisando muitas vezes sem chegar à conclusão alguma. Mas lembro de uma manhã especial, de céu azul e vento forte em que sentei num banco da Praça dos Expedicionários, ao lado de um catador de papelão e seu cachorro selvagem e sujo, para pesquisar. Decidi que aquele era o dia. E foi. Vendo fotos de Trujillo (Peru) e lendo sobre o local não tive dúvidas de que ali deveria ser a segunda parada da viagem, depois de Lima. Havia transporte fácil de uma cidade a outra, em vários dias da semana. Consegui fechar também a passagem do Peru pro Equador (não havia ônibus todos os dias de um país para outro, mas o dia em que havia batia com o dia que precisávamos). Fechar a rota pelo Equador foi fácil. E foi fácil também concluir que a Veri ia amar Cuenca. E ela realmente amou.
O sol já ia alto e o trabalho me chamava, mas fiquei na praça até o limite do horário e fechei também toda nossa passagem pela Colômbia. Pesquisar sobre Medellín foi especial. Trocando e-mails com a Veri, sonhamos juntos com almoços no Cerro Nutibara, passeios no Metrocable, caminhadas pela parte amuralhada de Cartagena, cafés em lugares especiais, conversas francas e entusiasmadas com taxistas e pedestres...
Nesse dia tive aquela sensação de 'agora vai', o feeling de que pelo menos até aquela parte o roteiro estava pronto. A sensação de cansaço veio semanas depois, quando não conseguíamos de jeito nenhum ter certeza sobre os horários de transporte na Venezuela. Foi quando olhamos um pro outro e dissemos: "vai assim mesmo; se der alguma zica a gente improvisa, afinal, essa é ou não é uma viagem de aventura?"
Sem internet em casa, pão duro que sou, tive que usar de locais onde há internet grátis, como parques públicos, shoppings, hotéis, etc. Destaco o Parque do Curupira, o Novo Shopping e a Praça dos Expedicionários, em Ribeirão Preto. Lembro que passei manhãs e manhãs pesquisando muitas vezes sem chegar à conclusão alguma. Mas lembro de uma manhã especial, de céu azul e vento forte em que sentei num banco da Praça dos Expedicionários, ao lado de um catador de papelão e seu cachorro selvagem e sujo, para pesquisar. Decidi que aquele era o dia. E foi. Vendo fotos de Trujillo (Peru) e lendo sobre o local não tive dúvidas de que ali deveria ser a segunda parada da viagem, depois de Lima. Havia transporte fácil de uma cidade a outra, em vários dias da semana. Consegui fechar também a passagem do Peru pro Equador (não havia ônibus todos os dias de um país para outro, mas o dia em que havia batia com o dia que precisávamos). Fechar a rota pelo Equador foi fácil. E foi fácil também concluir que a Veri ia amar Cuenca. E ela realmente amou.
O sol já ia alto e o trabalho me chamava, mas fiquei na praça até o limite do horário e fechei também toda nossa passagem pela Colômbia. Pesquisar sobre Medellín foi especial. Trocando e-mails com a Veri, sonhamos juntos com almoços no Cerro Nutibara, passeios no Metrocable, caminhadas pela parte amuralhada de Cartagena, cafés em lugares especiais, conversas francas e entusiasmadas com taxistas e pedestres...
Nesse dia tive aquela sensação de 'agora vai', o feeling de que pelo menos até aquela parte o roteiro estava pronto. A sensação de cansaço veio semanas depois, quando não conseguíamos de jeito nenhum ter certeza sobre os horários de transporte na Venezuela. Foi quando olhamos um pro outro e dissemos: "vai assim mesmo; se der alguma zica a gente improvisa, afinal, essa é ou não é uma viagem de aventura?"
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